por Bruno Calixto
Talvez seja uma angústia o momento da refeição do restaurante, quando a dúvida e o medo se combinam para nos tornar covardes. A escolha do vinho. Seja em um primeiro date, no fechamento de um negócio, em um encontro de família ou em uma reunião com o chefe.
Quem surge para te ajudar? O caçador de vinhos Jean-Pascal Chalard, um craque na arte do bem beber. Portanto, do bem viver também. O importador que foi em busca dos melhores rosés na França para trazer ao Brasil, em especial o Rio de Janeiro.
“O Rio tem carnaval, tem alegria, tem praias, tem sol, tem muito mais a cara do vinho rosé do que São Paulo. Claro que Salvador da Bahia, o Nordeste, tem a mesma vibe. Só que eu precisava de um porto para importar os vinhos. E só tem Santos ou Rio de Janeiro, então eu decidi pelo Rio”.
Desde a infância, com a família dona de restaurante, café e adegas, ele convive com garrafas e mais garrafas. O tio era um grande fornecedor de vinho. A fonte do seu savoir-faire vínico.
Mas qual é a rotina de um caçador de vinho? “Quando você começa, você tem que fazer um portfólio com várias regiões, porque cada região na França tem um terroir bem diferente, histórias diferentes. Então você pega o seu carro e vai de uma vinícola para uma outra vinícola para outra. E a nossa busca é pelos orgânicos. O bom vinho é simples, só tem uma receita: os rótulos do vinho que chamam sua atenção, 90% dos momentos você vai gostar deste vinho.”
Uma das perguntas que Jean mais ouve é como lidar com esse momento da verdade. A resposta é simples: “os sommeliers podem ser seus melhores amigos. Permita-se confiar neles. Eles medem seu sucesso pela sua felicidade. Na verdade, o maior prazer para a maioria dos sommeliers é ver você apreciando os vinhos que eles amam”. O especialista, para Chalard, é como um intérprete e guia que pode nos conduzir por um caminho gratificante e seguro.
A harmonização com rosé passa por tentar imaginá-lo como um vinho muito versátil, que você pode beber com sushi, frutos de mar e até churrasco. Ensina-nos o caçador. “O vinho rosé tem essa flexibilidade, para beber fresco e com qualquer tipo de comida. Basta perguntar ao sommelier.”
Mitos e verdades sobre o vinho orgânico. Poesia pura!
É bom para a saúde, os mais renomados do mundo são de Bordeaux e Borgonha, “a melhor maneira de responder a todos os problemas que temos no planeta e trabalhar de uma maneira saudável, de uma maneira sustentável, que realmente faz sentido para o corpo, a terra e a agricultura. É mais do que sério, porque é muito mais complicado de fazer, por isso um pouco mais caro que um vinho industrializado. E não estragam mais rápido, depende do tipo e da conservação. É um caminho sem volta, a diferença do gosto, dos aromas.
Um franco-carioca, é assim que Jean-Pascal Chalard se considera. “Não tenho medo de nada. É só alegria.” Não é à toa que ele trocou a vida de diretor de arte para ser importador de vinho e ainda assim continua sendo “o homem mais feliz do mundo”.
Para nosso caçador, trabalhar com vinho é como trabalhar com literatura, cinema e música. Vinho é poesia!
